O loteamento da coisa pública e a multiplicação de cargos políticos, nomeados pelas conveniências estritamente partidárias ou de ocasião, entre outras facilidades, permite ao prefeito promover os interesses do grupo que o apóia, os dos seus próprios interesses e não os da comunidade
A maior parte das pessoas quer uma cidade como instrumento de construção do bem estar. E para que isso aconteça o combate à malversação do dinheiro público deve ser tratado com absoluta prioridade.
Acreditando que existem meios para combater a corrupção e a má gestão do dinheiro público, onde, lamentavelmente a cada gestão que se sucedem, não faltam maus exemplos de Administração Pública, o Jornal da Região fará a partir do recebimento de denúncias populares um monitoramento nos chamados “Negócios da Cidade”.
Como ficou disposto em A Cidade e os negócios: “os negócios da Cidade” - Parte I, publicado no sábado (22), todas essas histórias de privatizações e terceirização estão recheadas de mistérios, intrigas, jogadas, acertos e de malas recheadas de dinheiro que estendem as garras do interesse privado sobre os negócios das cidades. E que dessa maneira, o chefe do executivo, assessores, secretários, conselheiros e empresas privadas são senhores absolutos do que chamam de progresso, do que chamam melhoria dos serviços públicos e daquilo que definem toda essa sacanagem, toda essa bandalheira, como o caminho para o futuro ou ainda como tarefa de alguém; claro que em detrimento do interesse público, do direito do cidadão e daquilo pelo que o prefeito deveria zelar: Os Negócios da Cidade...
O monitoramento que propomos será feito a partir do recebimento da denúncia, entretanto sem nenhum tipo de influência porque isso não nos cabe. O objetivo é dar um retorno à sociedade, fiscalizando as ações da administração pública.
Temos acusações de toda ordem contra a administração pública; se com base em fundamentos sólidos ou não é o que vamos verificar. Agora mesmo temos várias denúncias sobre o possível loteamento dos cargos públicos. São cidadãos preocupados com os cargos distribuídos para pessoas recrutadas pelos critérios muito pessoais e poucos louváveis.
Essas contratações sem critérios técnicos e éticos de vocação para o coletivo contribuem e estimulam a corrupção. Contribui ainda para o desvirtuamento ideológico dos administradores e para a fuga da eficiência na condução da administração bem como dos negócios da cidade.
A multiplicação de cargos políticos e as nomeações por conveniências estritamente partidárias ou de ocasião, entre outras facilidades, permite ao prefeito promover os interesses do grupo que o apóia, os dos seus próprios interesses e não os da comunidade.
Para ter uma idéia e mensurar o loteamento dos cargos políticos, O Jornal da Região vai fazer um levantamento inédito, vai cruzar os nomes dos ocupantes de cargos com listas de filiados e dirigentes de partidos políticos, para descobrir quantos contratados têm vínculos com a base de apoio ao prefeito, para então medir o grau de comprometimento entre aquilo que é público com os interesses político partidário.
A maioria desses cargos com atribuições absolutamente obscuras - quando chegam a possuir alguma atribuição, ainda que teórica! - representa um ônus praticamente insuportável aos cofres públicos do município que é obrigado a patrocinar esses ineptos apaniguados dos maus políticos. E é preciso que a sociedade se mobilize no sentido de não continuar a admitir o patrocínio desses espetáculos de imoralidade com o dinheiro público, onde partidos políticos fazem seus conchavos eleitorais para depois lotearem os cargos públicos cuja única produção é a constituição de mais uma classe de privilegiados parasitas sociais.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
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